Coluna do Filipe Frayha: Lamborghini Diablo

Como alguns sabem, eu vou escrever semanalmente aqui e contar a história de algum carro que marcou (e ainda marca) época. Semana passada eu falei da Ferrari F40, hoje vou falar da Lamborghini Diablo.

Como é de tradição na montadora italiana, o nome Diablo (‘’Diabo’’ em espanhol) vem de um touro consagrado nas touradas. Ele lutou com o toureiro ‘’El Chicorro’’, em 1869.

O seu desenvolvimento iniciou-se em 1985, com codinome de Project 132, projetado para ser o sucessor do famoso Countach. Após cinco anos, o carro foi apresentado ao publico em 21 de janeiro de 1990, no Hotel de Paris, em Monte Carlo, durante um Lamborghini Day.

A ideia era para ser um carro de pouca produção, poderia ser até edição limitada, porém os altos custos no desenvolvimento fizeram com que a Lamborghini vendesse 2884 unidades.

A Diablo ficou tanto tempo em produção que chegou a ver a Ferrari lançar 348, F355, F50 e F360, ou seja, enquanto a Lamborghini apostava somente em um carro, a Ferrari já apresentava três gerações diferentes de seus carros de entrada e ainda lançava um hypercar, a F50. E quer saber mais? A Diablo é mais rápida que todos esses carros citados.

Ao contrário do que acontecia na época com os supercarros, você encontrava um bom acabamento interno. Os bancos eram encomendados de acordo com as medidas do comprador, com várias opções de regulagem. 

Apesar de seu criador, Ferruccio Lamborghini reclamar da embreagem das Ferraris, pelo jeito na Diablo ele não foi escutado. O modelo tem um volante pesadíssimo e a embreagem acompanha o mesmo caminho, apesar de tudo isso, o carro ainda é satisfatório na maioria dos quesitos.

Não é um carro para qualquer um, e não é nem pelo preço, mas sim pelo que todo carro esportivo italiano trás com ele, algumas frescurites, delicadezas, que nem sempre o proprietário teria paciência, não é simplesmente comprar, ligar e usar, não mesmo. É muito mais profundo.

Assim como seu antecessor, o motor da Diablo era um 5.7l V12 que produzia 492hp, com isso o carro alcançaria os 100 km/h em apenas 4 segundos e uma velocidade final de 325 km/h. Mas, como de praxe, a Lamborghini lançou inúmeras versões para o modelo, um total de 14.

Todas essas 14 têm um ponto forte comum, a beleza e agressividade. Tem-se uma coisa que Marcello Gandini acertou foi no desenho do carro. E ainda digo mais, nos tempos de hoje uma Diablo não deve nada em design para nenhum carro moderno.

No seu último ano de fabricação, a Lambo já havia apresentado a Murcielago, que começou a ser comercializada em 2001. Nessa época a Diablo estava em sua última versão, a VT 6.0 e VT 6.0 SE. Onde apareceram algumas modificações como AirBag para o motorista, a precisão do volante, embreagem deixou de ser tão pesada para facilitar na hora de manobrar e o motor que teve uma melhora substancial para 6.0l V12 de 575hp.

Apesar da Diablo não ser um hypercar, ela tem todas as características de um. Pois não é um carro que podemos chamar de dócil, como toda Lamborghini V12 (até Murcielago e Aventador) pede para você dar aquele cutucão no acelerador, aquele ponto morto acelerado instiga você a estar sempre acelerando, parece que ela está sempre em um modo ‘’pronta para explodir’’, tanto é que o apresentador do programa Top Gear a classifica como um dos carros mais apelativos do mundo.

Espero vocês na semana que vem. Enquanto isso assista ao vídeo abaixo:

Filipe Frayha